Frequentemente o símbolo do coração é utilizado para exprimir o amor entre as pessoas; e é assim também que Igreja nos apresenta o amor de Deus, por meio da importante e conhecida devoção ao Sagrado Coração de Jesus, celebrada anualmente na sexta-feira seguinte ao Corpus Christi.
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A devoção tem origem nas Sagradas Escrituras, especialmente nos relatos do Evangelista João nos capítulos 7,37-39 e 19,33-37, quando Jesus é traspassado pela lança e água e sangue jorravam de seu lado aberto na cruz. Também na Idade Média, místicos alemães já cultivavam essa devoção, mas foi apenas em 1672 que o sacerdote francês, João Eudes, celebrou essa festa pela primeira vez, o que foi ainda mais intensificado a partir das revelações que a religiosa da Visitação, Margarida Maria Alacoque recebeu do Senhor.
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Em visões que ocorreram por quatro vezes, o próprio Jesus pediu a Santa que fosse instituída uma festa em honra do seu Sagrado Coração. A festa passou a ser oficial a partir de 1856, por determinação do Papa Pio IX.
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Na última Carta Encíclica escrita pelo Papa Francisco, intitulada “Dilexit nos” (Ele nos amou), encontramos um olhar profundamente atual sobre a devoção ao seu Sagrado Coração, que não pertence ao passado, mas ao coração da missão da Igreja no hoje da história.
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De acordo com o Santo Padre, o Coração de Jesus é a expressão mais radical do amor de Deus, capaz de nos tocar onde as palavras já não bastam. É no Coração traspassado de Jesus que encontramos um refúgio, mas também um chamado: amar com intensidade, com compaixão, com entrega.
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O Papa ainda nos lembra que essa devoção não é sentimentalismo, mas uma escola de vida. É uma espiritualidade encarnada, centrada na ternura, na misericórdia e na justiça. Uma mística que cura o coração humano ferido pela frieza do mundo e o reintegra numa lógica nova: a lógica do dom, do doar-se a si mesmo. Ele nos recorda que a verdadeira devoção nos impele a amar com o mesmo amor com que fomos amados.
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Que essa celebração que se aproxima seja um tempo de preparação do nosso coração para acolher o d’Ele!
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Carta na íntegra: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/20241024-enciclica-dilexit-nos.html