A depressão na criança vem despertando nos últimos anos preocupações entre os profissionais que atuam na clínica infantil. É uma patologia frequente, porém, nem sempre identificada com clareza, pois os sintomas diferem significativamente dos apresentados pelos adultos e aparecem muitas vezes de forma mascarada, sendo os mais frequentes os transtornos do déficit de atenção/hiperatividade, dificuldades cognitivas, distúrbios alimentares e de sono, medos, enurese, distúrbios da conduta entre outros. As causas são multifatoriais, envolvem as condições internas como a vulnerabilidade genética, e também as condições externas.  A falta do diagnóstico faz com que a criança receba “rótulos” como de agressiva, “malcriada” entre outros e a falta do tratamento adequado faz com que os sintomas se agravem e persistam ao longo da vida.

Considerando este fato, foi realizada uma pesquisa sobre as manifestações depressivas em crianças atendidas na Saúde Pública e em creches da cidade de Paranavaí-PR A pesquisa contemplou crianças de 03 a 10 anos de idade, encaminhadas por um pediatra e três coordenadoras de creche, totalizando nove casos. A análise dos dados obtidos através da aplicação de alguns procedimentos tais como entrevista com os pais, observações nas creches, entrevista com professores, Desenhos-Estórias, A Hora do Jogo Diagnóstica, revelou que as nove crianças atendidas apresentavam núcleos depressivos significativos, necessitando de atendimento psicoterápico para que pudessem superar de maneira satisfatória as dificuldades enfrentadas e terem a chance de desenvolverem-se tanto na área cognitiva quanto emocional de maneira condizente com suas faixas etárias.

A constatação de que todas as crianças encaminhadas apresentavam quadros depressivos, mostra que muitas outras crianças podem ter núcleos depressivos ou outras configurações psicopatológicas, necessitando de atendimento psicoterápico. O reconhecimento de manifestações iniciais da doença favorece o prognóstico, possibilitando a prevenção de múltiplos transtornos maiores. A depressão interfere em atividades fundamentais da vida do indivíduo e diretamente nas fases de desenvolvimento e crescimento infantil. Justifica-se assim, a importância do diagnóstico precoce e tratamento adequado ainda nesta fase inicial da vida, já que as repercussões da doença são graves e sérias.

 

Rosana S. S. Calderaro – CRP 08/09155

Psicóloga Pastoral Social