Novembro é sempre mês de uma saudade especial. Ano após ano nele relembramos nossos seres queridos que partiram para a casa do Pai. Jesus certa vez chorou a morte de um grande amigo seu de nome Lázaro (Jo 11,33). Era irmão de Marta e Maria, em cuja casa o Mestre se hospedava com frequência. É até impactante no relato de João o fato que à informação da grave doença do amigo, Jesus não se apressasse em ir ao seu encontro (Jo 11,6). O evangelista refere duas vezes que Jesus amava seu amigo Lázaro assim como suas duas irmãs (Jo 11,3.5). Por quê então não se apressou em curar-lhe e assim evitar a dor da morte para a família? De fato, quando chegou em Betânia onde moravam, Lázaro havia morto faziam já quatro dias (ver Jo 11,17.39). Misteriosos caminhos do Senhor!
A morte contudo não teve a palavra final (ainda que Lázaro um dia morreria de vez!). Estava tudo sob controle: para Jesus aquela doença era ”para a glória de Deus e para que o Filho de Deus fosse glorificado por ela” (Jo 11,4); a seus olhos, a morte do amigo, significava apenas um “dormir” (ver Jo 11,11-13). E Jesus ressuscita Lázaro! Na ressurreição do amigo, o Senhor preparava os discípulos para o evento central de sua fé Nele. “Cristo de fato ressuscitou como primícias dos que morreram” (1 Cor 15,20). Sua morte venceu nossa morte; Sua ressurreição garantiu-nos vida eterna.
Nas Missas de finados recordaremos nossos falecidos. Mas sobretudo anunciaremos, como em cada Eucaristia, a morte de Jesus e proclamaremos de novo sua ressurreição. Antes da passagem de Jesus por esse mundo, o lugar de repouso dos falecidos costumava chamar-se ”necrópoles” que significa “cidade dos mortos”; depois de Jesus o chamamos de ”cemitério”, do latim ”coemeterium” que significa ”lugar dos que dormem”, dormitório! Para os que cremos em Jesus de fato a morte é como um sono, um descanso do corpo, à espera da realização definitiva de nossa glorificação corporal. Que a celebração dos fiéis defuntos portanto seja para todos nós a celebração da fé nessas consoladoras verdades, que tem o poder de reanimar até mesmo alegrar com a esperança ainda o corações mais saudoso. “Eu sou a ressurreição e a vida” disse Jesus à Marta, “Quem crê em mim, ainda que tenha morrido viverá. E todo aquele que vive e crê e mim, jamais morrerá. Crês nisto?” 

“Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que deve vir ao mundo!” (Jo 11,27).